Inquérito conclui que queda de carro no Rio Paraná não foi acidente; marido segue preso
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso do carro que caiu nas águas do Rio Paraná, na noite do dia 2 de maio, e apontou que o episódio não foi um acidente.

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso do carro que caiu nas águas do Rio Paraná, na noite do dia 2 de maio, e apontou que o episódio não foi um acidente. O principal suspeito é Márcio Talaska, que permanece preso preventivamente e poderá responder pelos crimes de feminicídio e vicaricídio. No veículo estavam Márcio, a esposa dele, Iria Dejanira Roman Costa Talaska, e a filha do casal, Maria Laura, de apenas 3 anos. A mulher e a criança morreram afogadas após o automóvel ficar submerso. As investigações tiveram início logo após o caso, quando imagens de câmeras de segurança mostraram o veículo trafegando pelas ruas até entrar no rio por uma rampa de acesso. Outras gravações registraram Márcio saindo da água sozinho. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Iasmim Gregório, diversos pontos contraditórios foram encontrados entre o depoimento do suspeito, relatos de testemunhas e as imagens analisadas pela polícia. Um dos principais elementos da investigação diz respeito à condução do automóvel. Márcio alegou inicialmente que a esposa estaria dirigindo no momento em que o carro entrou na água. No entanto, segundo a polícia, imagens aprimoradas tecnicamente indicaram que era ele quem estava ao volante. Para reconstruir a dinâmica dos fatos, a Polícia Civil utilizou um drone para traçar o trajeto percorrido pelo casal desde a confraternização onde estavam até a rampa de acesso ao Rio Paraná. O trabalho ajudou os investigadores a calcular o tempo de deslocamento. Márcio também afirmou em depoimento que o casal teria se perdido ao sair de Porto Rico em direção à cidade onde moravam, Nova Londrina. Porém, a investigação descobriu que, na tarde do mesmo dia, eles estiveram em um restaurante próximo ao local onde o carro caiu, o que, segundo a polícia, indica que o casal conhecia a região. Testemunhas ouvidas durante o inquérito relataram ainda que Márcio conduzia o veículo e apontaram uma possível discussão momentos antes da tragédia. Conforme os depoimentos, uma música teria sido o estopim para a suposta crise de fúria do suspeito. Outro ponto destacado pela delegada foi o comportamento apresentado por Márcio após sair do rio. Segundo ela, ao pedir socorro, ele já afirmava que a esposa e a filha estavam mortas. A investigação também observou ausência de abalo emocional durante o interrogatório. Embora Márcio Talaska não possua antecedentes criminais nem registros formais de violência doméstica contra a esposa, amigas da vítima relataram à polícia possíveis agressões anteriores. Com a conclusão do inquérito, o caso agora será encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar as provas e decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.
