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Paraná tem a menor taxa de recusa para doação de órgãos do Brasil

Ao lado de Santa Catarina, o Paraná mantém um índice de 30%, em contrapartida ao índice nacional que é de 45% na recusa familiar para a doação de órgãos. A doação de órgãos e tecidos é um ato de solidariedade que pode beneficiar inúmeras pessoas.

Por Claudiomar Cesar
09/04/2026 6 min de leitura
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Paraná tem a menor taxa de recusa para doação de órgãos do Brasil

O Paraná se consolidou como o estado com a menor taxa de recusa familiar para doações de órgãos com o fortalecimento estratégico e contínuo do Sistema Estadual de Transplantes. Ao lado de Santa Catarina, o Paraná mantém um índice de 30%, em contrapartida ao índice nacional que é de 45% na recusa familiar para a doação de órgãos, de acordo com o último Registro Brasileiro de Transplantes (RBT).

Uma das beneficiadas com a doação foi Mariana Chuch, que aprendeu desde muito cedo o significado da palavra “sobrevivência”. Transplantada de coração há quase um ano, ela faz parte de um grupo de pacientes que encontrou na doação de órgãos a alegria de voltar a ter uma vida saudável e repleta de sonhos e planos. Aos 17 anos, está cursando o terceiro ano do Ensino Médio, com foco em prestar vestibular para Psicologia, carreira inspirada pela mãe.

“Estou pronta para viver plenamente todas as oportunidades que vierem pela frente”, afirma com alegria. Mas a trajetória até a recuperação total foi longa.

O diagnóstico de miocardiopatia dilatada no ventrículo esquerdo veio cedo, aos sete dias de vida, dando início a uma longa batalha por sua saúde. Entre idas e vindas aos hospitais, manteve-se bem com a medicação, mas após um AVC no ano passado, seguido de uma trombose na veia ilíaca, o coração descompensou e a indicação de transplante foi imediata. Um mês após à internação, veio a boa notícia de um coração compatível.

“Enfrentei o centro cirúrgico com uma mistura de medo e esperança, acreditando firmemente na vida apesar dos riscos elevados do procedimento”, relembra. A recuperação após a cirurgia exigiu um mês de internação, adaptação aos medicamentos e reajustes à nova condição. Hoje, totalmente recuperada, quer apenas seguir em frente.

A condição de Mariana é genética; o irmão, Henrique, de 11 anos, e a mãe, Sibele Chuch, também compartilham o diagnóstico. Para ela e o marido, Adriano Chuch, a jornada pela saúde dos filhos sempre foi guiada por uma rigorosa rotina médica e um profundo exercício de espiritualidade. “Sempre tivemos a convicção, por meio da nossa fé, de que o amparo viria na hora certa”, relembra a mãe.

Desde o diagnóstico de Mariana, Sibele conta que nunca permitiu que a filha se sentisse incapaz ou fosse rotulada como doente, independentemente do ambiente. A mesma postura foi adotada com o filho, visando proporcionar uma infância tão plena quanto possível. “Acreditamos que a vida não deve ser definida pela enfermidade, mas pela qualidade dos momentos vividos”. Ela ainda ressalta o imenso desejo da filha de viver. “Mariana nunca reclamou, nunca desistiu. A força dela é impressionante”, conclui.

A experiência moldou a consciência de toda a família, que hoje é composta por doadores de órgãos declarados. Com o olhar atento ao irmão, Mariana vive cada dia com gratidão, encarando seu novo coração como o recomeço de uma história de liberdade. “É uma segunda chance para quem recebe e para todos aqueles que amam esse paciente”.


SOLIDARIEDADE – A doação de órgãos e tecidos é um ato de solidariedade que pode beneficiar inúmeras pessoas. Um único doador pode impactar até 8 pacientes. Em 2025, foram realizados 773 transplantes, sendo 31 de coração. Nos dois primeiros meses de 2026, o número de órgãos doado foi de 123. Entre esse dado está a realização de três transplantes de coração.

No cenário nacional, os rins e as córneas lideram as estatísticas. Segundo dados preliminares da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, o Brasil registrou a marca de 4.969 transplantes de rim e 13.366 de córnea. No Paraná, a tendência se repete. A Central Estadual de Transplantes (CET/PR), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, coordenou a viabilização de 445 transplantes de rins e 1.066 de córneas, de um total de 773 órgãos captados no Estado, alguns com apoio de aeronaves. Em 2024, o Paraná foi recordista nacional com a doação de 896 órgãos e 1247 córneas.

“O paranaense é um povo solidário por natureza, mas a qualificação das equipes que realizam a entrevista familiar e a ampliação do diálogo social sobre a importância da doação de órgãos, impactam diretamente no resultado”, diz o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Ele ainda destaca a padronização de fluxos, o monitoramento rigoroso de indicadores e uma atuação sinérgica entre a Central Estadual, as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) e a rede hospitalar. “Priorizamos um acolhimento familiar humanizado e multiprofissional, garantindo que as melhores práticas de abordagem sejam aplicadas de forma uniforme em todas as unidades de saúde”, completa.


Para a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni, declarar à família (cônjuge, pais, filhos ou irmãos maiores de idade) o desejo de ser um doador é a forma mais rápida e eficaz para contribuir com o fluxo.

“No Brasil, somente os parentes mais próximos podem liberar a captação dos órgãos, após a viabilidade comprovada pela equipe médica. Sem esse aval, é impossível. Portanto, a informação é imprescindível para que a família sinta-se segura em um momento tão delicado e que o tempo é relevante para o sucesso da ação”, orienta.

Os órgãos doados são destinados a pacientes que estão aguardando em uma lista única de espera. Esta lista é fiscalizada pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde e Centrais Estaduais de Transplantes. A seleção de um paciente que aguarda por um transplante, ocorre com base na gravidade de sua doença, tempo de espera em lista, tipo sanguíneo, compatibilidade anatômica com o órgão doado e outras informações médicas importantes.

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